Geeks – Who… What??
O Post de hoje está baseado em uma reportagem traduzida que um amigo indicou de um blog (http://zyakannazio.eti.br/fudeblog/2006/06/20/como-nao-liderar-geeks/) e que acabou me dando a idéia para essa publicação.
Introdução
Traduzir a expressão Geek seria o mesmo que tentar demonstrar com palavras uma verdadeira expressão idiomática, em todo caso, podemos chamar de Geek: “os caras que entendem de informática”, “Administradores de redes”, “Hackers”, “Fodões da informática”, etc. Na verdade são aqueles que trabalham com a informação digital e sabem manipular esses dados gerando informação para quem precisa.
Portanto, dizer que são um bando de Nerds que vivem escondidos atrás de telas frias de computador, é muito mais do que um equívoco, pois estamos falando realmente de isolamento desse tipo de perfil de profissional. Muitos administradores tem a tendência natural de gerar um certo pré-conceito a respeito desse profissional, observando-o apenas como uma peça operacional e não como uma fonte de apoio estratégico.
Para dizer a verdade, a idéia não é apenas ver os Geeks como fonte de apoio estratégico, e sim toda a estrutura organizacional direcionada e conhecedora do foco estratégico vigente na empresa. Entretanto isso é um assunto para outro post!
Peguei algumas partes do post original e vou comentar a respeito delas logo abaixo. Então vamos lá:
“Quando os geeks da NCR Austrália ameaçaram entrar em greve, foi uma movimentação que poderia paralisar ATMs, caixas de supermercado e máquinas de check-in nos aeroportos. Este fato mostra que TI se tornou tão central em praticamente todas as corporações, que qualquer paralisação poderá custar muito tempo e dinheiro, o que significa também que manter os geeks felizes no trabalho é obrigatório nas empresas modernas. Geeks felizes são geeks eficientes.”
Muitas organizações e administradores de certa forma, (assim como os usuários), só sentem falta da informática quando ela dá problema, ou seja, na cabeça de muitos tudo deve funcionar, afinal são apenas máquinas e nada mais. Esse é o primeiro erro da nossa cultura, afinal os problemas, se dão por 2 motivos (a grosso modo): 1) Hardware e Software (equipamento e programas) e 2) Má utilização da unidade de trabalho (usuário sem conhecimento). Acho que essa parte inicial do artigo, deixa bem claro que computadores não funcionam sem pessoas!
“Algumas pessoas chegam à conclusão que geeks odeiam gerentes e são impossíveis de liderar. A expressão ‘administrar geeks é como pastorear gatos’ (N.T: do inglês “managing geeks is like herding cats”) é usada às vezes, mas está errada. O fato é que o pessoal de TI detesta gerenciamento ruim e tem menos tolerância com relação a isso que outros empregados.”
Temos dois lados da mesma moeda! Afinal gerenciar uma equipe tecnológica nem sempre quer dizer lidar com a situação de lidar com a estrutura de uma empresa de manufatura (por exemplo). O produto dessa área é o conhecimento e a inteligência, isso sem levar em consideração as possibilidades de evolução, o que acaba sendo um equilíbrio muito dificil de alcançarmos, afinal, temos tecnologias que são lançadas a cada bimestre, e a pergunta é, como direcionar as equipes de TI para esses conhecimentos que podem ser um investimento perdido? TRADEOFF essa é a palavra chave, ou seja, alto RISCO alto RETORNO ou alta PERDA, nesse caso o foco deve estar voltado no mercado, analisar cada passo e contar com o apoio do próprio pessoal de TI FALANDO A MESMA LINGUA que os administradores. Isto é, não devemos colocar todo mundo dentro de uma sala e falar horas e horas, o objeito é colocar todo mundo dentro de uma sala e conseguir entender o que é conversado.
O artigo apresenta alguns pontos do erro da administração/gerenciamento desse pessoal, com base nos conhecimentos adquiridos pelo autor do mesmo, entretanto, mais do que experiências, fica claro algumas falhas, como eu vou citar, pelo menos as que são mais claras a serem notadas:
1- Ignorar o treinamento (Falha RH)
O treinamento, passa a ser um desafio, reconhece e entender qual o momento ou não para se investir num treinamento para o grupo responsável por esse área. Entretanto, se você tem uma área de TI (seja dentro de uma empresa ou sendo uma empresa em si), um fato é verdade, cautela é necessária, mas não confunda isso com segurança, observe e tenha respostas rápidas, peça para ser convencido de que o treinamento é válido e compreenda que TI é uma área que tende a P&D, ou seja, alguns investimentos demandam tempo para que exista retorno e o mesmo poderá (e será muitas vezes) não financeiro.
2- Não dar o reconhecimento (Falha Projetos/Operações)
O artigo nesse ponto é bem claro quando cita a necessidade do trabalho em grupo, a definição de objetivos comuns e das atividades que devem ser desenvolvidas para essa área. Um fator interessante que as vezes me deixa intrigado com a área de TI, é que os administradores tendem a isolar essa área, por não compreenderem ou não desejarem compreender suas funções, isto é, torna-se apenas o chamado trabalho de macaco, “eu mando e você obedece”. Devemos lembrar que a época da escravidão já passou, equipes de TI são feitas para trabalhar juntas, (por isso se chamam equipes) e aos administadores cabe a idéia da visão geral a explanação das necessidades e também o acompanhamento (Qualidade – PDCA). Se a administração ficar na inércia mantendo-se obstante do que acontece nessa área, podemos dizer que ela na verdade está investindo num retardo do seu crescimento.
3- Planejar muita hora extra (Falha RH/Projetos)
E quem disse que o pessoal de TI não descansa? Mesmo que seja a idéia do paradigma que os profissionais de TI dormem pouco, isso não quer dizer que eles trabalham todo o tempo que ficam acordados. Geralmente esse erro nas horas extras é bem vinculado ao fato do segundo ponto demonstrado acima, a falta de comunicação e de entrega do que realmente precisa ser feito, ou o prazo curto ou longo demais para o desenvolvimento da atividade, (pois o administrador não tem noção do quanto tempo será gasto e conseqüêntemente negocia errado). O desfecho disso é que acarreta em trabalhos corridos, cheio de erros e no caso sem nenhuma motivação.
Podemos dizer que é constatado que o profissional de TI trabalha 4 horas por dia, as outras teóricas 4 ou 2 horas são destinadas a estudo, atualização de informações e troca de conhecimento, portanto não acredite que ele irá render em horas extras da mesma forma.
4- Usar “gerentês” (Falha Comunicação)
Também conhecido como o sabichão, “o cara que entende tudo” e tem necessidade de mandar! Se você for um desses, me desculpe, mas trabalhar junto com o pessoal de TI será inviável, e não apenas de TI. Entretanto o fato vale para o outro lado, muitas vezes os próprios Geeks já tem a visão autosuficiente de trabalho, o que acaba dificulando qualquer aproximação administrativa. Nesse caso, temos que levar em consideração alguns fatores: 1) É necessário que o pessoal de TI esteja aberto a ceder, condizendo com as mudanças e aceitar a liderança; 2) O administrador tem que estar pronto para ampliar seus conhecimentos, entender os processos e compreender os projetos de desenvolvimento.
Nós podemos falar a mesma lingua, mas é necessário que o dialeto seja igual de ambas as partes.
5- Tentar ser mais esperto que os geeks (Falha Comunicação)
Saber pedir ajuda, reconhecer os seus limites e principalmente querer se ater dos fatos vira um prazer para os Geeks no sentido de poder estar agregando valor. Como eu disse, a visão geral do administrador é peça chave para poder demonstrar e transoformar as necessidades de um cliente em um projeto concreto que gere lucratividade. Mas isso não quer dizer que o pessoal de TI tenha que ficar obstante, principalmente se a produção desse projeto é por parte deles, seja direta ou indiretamente. Em TI sempre é necessário que os membros se sintam parte do todo!
6- Agir de forma inconsistente (Falha Projetos/Operações)
Esse é um erro conseqüênte, ou seja, geralmente ele vem por causa dos dois últimos fatores acima, pois gera justamente aquela situação desagradável do manda e desmanda, pedir uma coisa e depois mudar o rumo. Se deixarmos chegar a esse ponto de problema é bom que a equipe de TI e os administradores já estejam ciente de que, invarialmente, acarretará em atrasos nos projetos e insatisfação do cliente (interno ou externo).
7- Ignorar os geeks (Falha Projetos/Operações)
Não é diferente gerenciar grupo de Geeks e grupos de pessoas. Na verdade a idéia é transformar esse mero grupo em uma equipe, um time. Portanto, todas as mesmas dificuldades de gerenciamento de equipes já tão conhecido pelos administradores se encaixam normalmente aqui (lembre-se, estamos falando de pessoas e não de máquinas). Os Geeks também precisam de liderença e não de um mandante.
8- Tomar decisões sem consultá-los (Falha RH/Projetos)
As decisões são feitas para serem tomadas em equipe, discutidas e apoiadas por ela. Infelizmente, nem sempre será possível o consenso, mas o foco deve ser sempre um, o bem estar e o crescimento da empresa, como um todo. Qualquer alteração em um projeto, ou em algum trabalho desenvolvido sempre deve ser bem claro.
Se os Geeks estiverem bem informados eles serão os primeiros a facilitar o fluxo de processos e atividades dentro da empresa, pois na verdade, é esse o trabalho deles!
9- Não lhes dar as ferramentas necessárias (Falha Financeiro/TI)
Ilusão pensar que isso não seria um ponto de desencontro. Os administradores farão de tudo para controlar os investimentos, pois são educados para estudar o fluxo de caixa visando o aumento da diferença entre as entradas e saídas, gerando o chamado crescimento da riqueza do investidor (Lucro é ilusão fiscal, o FC é o que importa). Por outro lado, os membros de TI, terão a tendência de pedir sempre por algo inovador e novo, e como já citamos, sem necessáriamente receita financeira. Portanto, como jogar com isso? Como ponderar entre uma coisa e outra e quais seriam os casos? Isso será um post completamente a parte, para discutirmos.
10- Esquecer que geeks são trabalhadores criativos (Falha RH/Administração)
Cuidar de servidores, programar, entender “dos paus” do computador, essas são apenas algumas tarefas mas, nenhuma delas é uma coisa simplesmente exata, puro números e cálculos sem nenhuma outra interação. Vejamos a própria Internet (WWW como alguns insistem em apenas ver), é uma prova concreta que vai muito além, em termos de criatividade e inovação! Os membros de TI tem a necessidade de continuar em plena inovação e MUITAS VEZES a necessidade e o desejo de criar algo novo, inigualável. Os exemplos falam por si só: Microsoft, Google, Oracle, etc.
TI é uma área que trabalha com uma arte, a fina arte da comunicação por meio digital (e não apenas da comunicação digital)
Concluindo
Acredtiamos que hoje está ficando cada vez mais claro que computadores são máquinas que não funcionam sozinhas. E as pessoas que são responsáveis por elas, devem ser respeitadas como tal, não sendo apenas reconhecidas como “o cara que trabalha com os computadores” ou então “o nerd da sala fechada”, estamos falando de profissionais altamente qualificados, do mesmo nível de conhecimento e de intelecto, que necessitam de treinamento, discussões, liderança e motivações.
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